Catherine Connolly, nova presidente da Irlanda: o sopro de uma República mais inclusiva
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Catherine Connolly, nova presidente da Irlanda: o sopro de uma República mais inclusiva

par Gwen LE COINTRE
Catherine Connolly, nouvelle présidente de la République d'Irlande - Houses of the Oireachtas

Abre-se um novo capítulo para a Irlanda. Com a sua nova presidente, a ilha pretende conjugar património cultural e olhar para o futuro.

A 11 de novembro de 2025, sob um céu limpo e uma atmosfera solene, a Irlanda acolheu oficialmente a sua nova presidente: Catherine Connolly, uma mulher independente, natural de Galway, conhecida pela sua franqueza, integridade e profundo compromisso com a justiça social. A cerimónia decorreu no majestoso Dublin Castle, símbolo forte da soberania recuperada de uma nação outrora sujeita à Coroa britânica.

Rodeada por membros do governo, personalidades políticas e artistas vindos de todo o país, Connolly prestou juramento sobre a Constituição perante a presidente cessante Sabina Higgins, esposa do muito popular Michael D. Higgins, cujo legado ela retoma após catorze anos de mandato marcado pela poesia e humanismo. O seu discurso de tomada de posse, parcialmente proferido em irlandês, tocou profundamente o público: «Is sinne na glúine atá ag tabhairt aire don todhchaí» – Somos a geração que cuida do futuro.

Uma tomada de posse sob o signo da modernidade irlandesa

Um percurso singular no panorama político

Antes de alcançar os mais altos cargos do Estado, Catherine Connolly teve uma trajetória atípica, afastada dos grandes partidos tradicionais como o Fianna Fáil ou o Fine Gael. Ex-psicóloga, depois advogada, destacou-se inicialmente na política local, eleita para o conselho municipal de Galway, antes de ser deputada independente (Teachta Dála) na câmara baixa do Parlamento irlandês (o Dáil Éireann).

A sua carreira sempre foi marcada pela independência de espírito. Nem alinhada com a esquerda populista do Sinn Féin, nem seduzida pelo pragmatismo do centro, encarnou uma voz cidadã, atenta aos esquecidos do sistema: mães solteiras, sem-abrigo, minorias linguísticas, jovens rurais. As suas intervenções no Dáil, frequentemente apaixonadas, valeram-lhe crescente popularidade, sobretudo entre as gerações mais jovens à procura de figuras políticas sinceras e acessíveis.

Uma presidente comprometida com a justiça social

No seu primeiro discurso presidencial, Connolly recordou que a sua missão não é apenas protocolar. Quer ser uma «presidente para todos», atenta aos territórios afastados de Dublin, aos trabalhadores precários, mas também aos artistas e defensores da língua gaélica. Enfatizou um ponto central: a luta contra a pobreza crescente nas cidades irlandesas e a crise habitacional, que se tornou um desafio nacional maior.

Ela saudou as iniciativas comunitárias locais, muitas vezes mais eficazes do que os planos governamentais: as cooperativas de habitação, os jardins partilhados ou os programas de apoio cultural em gaélico nas escolas primárias. Para ela, a renovação da República passa por «uma solidariedade concreta, vivida no quotidiano».

A Irlanda gaélica no centro da sua visão

Uma das ambições mais fortes de Catherine Connolly é colocar a língua irlandesa (Gaeilge) no centro da vida pública. Durante muito tempo confinada ao ensino ou a algumas zonas rurais (as Gaeltacht), a língua nacional sofre um declínio constante, apesar de um renovado interesse nos últimos anos. Connolly pretende incentivar o seu uso nas instituições, nos media e na vida diária.

Durante o seu discurso, afirmou: «A nossa língua não é uma memória do passado, é uma promessa viva.» Esta mensagem ressoou fortemente, sobretudo entre os jovens irlandeses desejosos de reconectar com as suas raízes culturais e afirmar a sua identidade numa Europa globalizada.

Entre herança e modernidade

Catherine Connolly sucede a Michael D. Higgins, cuja presidência foi marcada por uma abordagem poética e humanista do papel presidencial. Mas onde Higgins encarnava a sabedoria e a reflexão, Connolly promete ação e escuta. Insere-se numa tradição de presidentes com forte personalidade, recordando em certos aspetos Mary Robinson, primeira mulher presidente da Irlanda (1990–1997), também ela independente e defensora dos direitos humanos.

Quer ainda que a presidência seja um espaço de diálogo cidadão. Nos primeiros dias do seu mandato, anunciou a abertura de um programa intitulado An Teanga Beo – A Língua Viva, destinado a apoiar iniciativas locais que valorizem a cultura irlandesa através das artes, gastronomia, literatura e música.

Uma visão verde e internacional

Connolly é também uma ecologista convicta. Proveniente de uma região costeira sujeita às tempestades do Atlântico, conhece bem os efeitos das alterações climáticas nas comunidades rurais e nas pescas. Declarou que a luta pelo ambiente será «assunto de toda a nação».

O seu compromisso não se limita às fronteiras: deseja que a Irlanda se torne um modelo europeu de neutralidade ativa, promovendo a paz, a acolha de refugiados e a diplomacia verde. A sua primeira deslocação ao estrangeiro poderá mesmo ser a Bruxelas, para reunir com os líderes da União Europeia e discutir cooperação energética sustentável.

Uma mulher símbolo de um país em mutação

A eleição de Catherine Connolly ilustra também a transformação social da Irlanda. Num espaço de uma geração, o país passou de um catolicismo conservador para uma sociedade aberta, laica e progressista: casamento para todos, legalização do aborto, reforço dos direitos das mulheres e das minorias.

Connolly, com a sua sinceridade e abordagem inclusiva, encarna esta nova Irlanda, orgulhosa do seu património mas virada para o futuro. A sua presidência poderá marcar um período de apaziguamento político e de reforço do sentimento de pertença nacional, especialmente num contexto em que as tensões em torno da Irlanda do Norte por vezes ressurgem.

A esperança de uma presidência humana e inspiradora

Para muitos, Catherine Connolly representa uma lufada de ar fresco e uma luz de esperança. Numa época em que a política parece muitas vezes desligada, ela recorda que a presidência irlandesa não é apenas um símbolo: é uma voz moral, uma consciência nacional.

Os seus primeiros gestos – visita a um centro de acolhimento para refugiados, encontro com associações linguísticas e homenagem às vítimas dos Troubles – testemunham a vontade de encarnar a compaixão, a memória e a reconciliação. A Irlanda ganha assim uma presidente profundamente humana, ligada à ideia de que cada cidadão, independentemente da sua condição, conta.

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